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Cartas, Fenders Stratocasters, e uma Loucura Chamada Amor (Michaela Cordano)

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Vifibi
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MensagemAssunto: Cartas, Fenders Stratocasters, e uma Loucura Chamada Amor (Michaela Cordano) Sab Fev 27, 2010 11:46 am

Não quero falar muito sobre isso. Apenas leiam.
História baseada em fatos reais.

Cartas, Fenders Stratocasters, e uma Loucura chamada Amor (Michaela Cordano)

What will you do when you get lonely
and nobody´s waiting by your side?
You've been running and hiding much too long
You know it's just your foolish pride

Layla.
You've got me on my knees, Layla.
Begging darling please, Layla.
Darling, won't you ease my worried mind?

Tried to give you consolation.
When your old man, he let you down.
Like a fool, I fell in love with you.
You turned my whole world upside down.

Layla.
You've got me on my knees, Layla.
Begging darling please, Layla.
Darling, won't you ease my worried mind?

Tried to give you consolation.
When your old man, he let you down.
Like a fool, I fell in love with you.
You turned my whole world upside down.

Layla.
You've got me on my knees, Layla.
Begging darling please, Layla.
Darling, won't you ease my worried mind?

Make the best of the situation
Before I finally go insane
Please don't say we'll never find a way
Or tell me all my love's in vain

Layla.
You've got me on my knees, Layla.
Begging darling please, Layla.
Darling, won't you ease my worried mind?


As guitarras acabaram. As luzes da platéia se acenderam, permitindo a Fernando vê-la. Segurava com sua mão esquerda o braço de uma Fender Stratocaster preta e branca, estilo Eric Clapton, da linha Southern Cross. Tocou mais algumas notas apenas para agradar o público, mas voltou a falar no microfone.

- Obrigado, obrigado. Obrigado ao Club 7, por ter nos contratado. Também estaremos vendendo camisetas na saída, assim como álbuns, entre outros. Obrigado, e aproveitem a próxima banda, os "Jazzy Jazzers"!

Saíram do palco, aonde foram encontrados por poucos fãs. Talvez doze. Guardaram suas guitarras. Fernando era o único que tinha uma Fender. Os outros usavam Texas. Fernando ia na frente, mas parou quando reconheceu uma voz o chamando.

Atrás, lá estava Michaela. Michaela Cordano. A lembrança dos seus tempos de escola surgiu em sua mente. Não eram bons tempos. Ele se virou, desesperançoso. Ela estava linda. Tinha um corpo estonteante, mas Fernando não ligou para isso. Ainda guardava rancor dela.

- Fernando! Meu Deus! Quase não te reconheço! Faz seis anos que não nos vemos!
- Ah... Oi, Michaela. - Se virou novamente para seus amigos - Guardem as guitarras, eu já encontro vocês na kombi, ok?
- "Oi, Michaela"? Não se lembra de mim? A gente costumava namorar, lembra?
- Não. Mas eu lembro que você me namorou por uma semana apenas para me largar e começar a namorar meu melhor amigo.
- Ah. É, agora eu lembrei.
- É, e eu fiquei um ano tentando esquecer. Se você não tem mais nada para falar, meus amigos me esperam.
- Olha, me desculpa. Eu era idiota. Tinha 9, 10 anos. Agora tenho 15. Já estou mais madura.
- Eu posso ver. Mas ainda não sei se sua cabeça também amadureceu. Agora já tenho seis anos de experiência. Não sou mais tão ingênuo. Agora, eu tenho que ir. Até mais.
- Seu endereço, continua o mesmo?
- Sim, continua. Até mais.

Fernando então foi embora. Esqueceu dela por completo, até que, um mês depois, recebeu uma carta.

Spoiler:
 

- Ei, Fernando, que que é isso? - Fernando foi pego de surpresa. Viu-se na garagem do seu amigo Jorge, o baixista da banda, mas ficou distraído com a carta.
- Nada Jorge. É só uma carta duma garota que eu conheço.
- Uma garota que você conhece? E ela te escreveu uma carta? Quantos xingamentos têm aí?
- Absolutamente zero. Ei, Marcos - Marcos era o irmão de Higor -, cadê seu irmão?
- Não faço idéia. Se ele não chegar logo teremos que tocar sem ele. - Higor era o baterista da banda.

Higor entrou na garagem correndo. Suava muito. Ele, sendo o mais velho da banda, ele era o que tentava arrumar empregos para ela. Era péssimo em seu trabalho.

- Gente! Cara, vocês vão me amar quando eu contar as novidades?
- Quais são?
- Eu consegui pra gente um trabalho... Num Transatlântico! - Todos pareceram felizes, menos Fernando.
- E quanto eles pagam?
- Mil e seiscentos!
- Reais?
- Sim!
- Por quanto tempo?
- Até o transatlântico acabar.
- E acabará em...
- Um mês.
- Um mês! Num navio!
- Mas eles pagam 1.600! Por semana!
- ... Tudo bem. Ainda bem que estamos de férias. Mas é bom que eles tenham internet sem fio.
- Ah, sim, por causa do seu blog. - Marcos reclamou
- Site.
- Tanto faz. Aquilo não tem futuro.
- ... Vá se foder. Higor, quando partiremos?
- Uma semana.
- O.K. Eu tenho que ir para casa. Arrumar as malas.

Uma semana depois, estavam no navio. Fernando andava pelos corredores luxuosos, ainda pensando na carta. Acabou se perdendo, e não sabia aonde estava. Deveria estar no 14º andar. Seu quarto era no 5º. Olhou num mapa que acabou achando perto dos elevadores. Ainda estava meio cedo, apenas dez horas. Decidiu ir à boate, no 16º andar

A boate tinha um cheiro indistinto de bebidas e cigarros, sendo que a maioria era maconha. Ele catou um maço no Jeans, mas não achou nada além do cartão de seu quarto. Decidiu tomar uma bebida. Sentou-se no bar, e chamou o garçom.

O garçom tinha um ar de arrogância, mas qual era Fernando não reconheceu.

- Me vê um Whiskey, Dos bons, nada de marca barata. - Ele mandou com um tom de aborrecimento.
- Me desculpe, mas eu terei que ver algum tipo de identidade.
- Bom, você não pode ver pela barba? - Fernando coçou o queixo. A barba o importunava, mas quando ele a tirava e punha óculos ele ficava parecendo o John Lennon. Com barba, ele mais parecia Eric Clapton. Mas ainda assim, era extremamente irritante quando ficavam falando de sua barba.
- Sim, parece desconfortável, mas eu ainda preciso de identidade.
- Aqui está. - Ele pôs uma nota de vinte reais na mesa - Agora me dê um Whiskey.
- Bem... - Ele pegou a nota, guardando-a discretamente. - Que tipo de Whiskey?
- Bourbon. E você tem cigarros aí?
- Só Marlboro.
- Serve. Aqui está meu cartão.
- Com prazer, senhor.

Dois minutos depois, Fernando tinha uma garrafa de Whiskey - E um copo - nas mãos, e um maço de cigarros no bolso. Procurou um lugar para sentar. Sentou-se numa mesa longe da pista de dança - Que estava cheia -, no encontro de uma parede com outra. Um fato que o divertiu foi que ele estava envolto pelas sombras.

Ele serviu-se um copo, e começou a fumar um cigarro. Sentiu a fumaça relaxante entrar em seus pulmões, expandindo-os, e, por pura brincadeira, tomou o copo de Whiskey de uma só vez. Acabou tossindo, derramando whiskey na mesa. Desistiu da idéia.

Para sua surpresa e descontentamento, ele viu Michaela indo até ele. Seus cabelos castanhos - Ele reparou - estavam surpreendentemente lindos. Ela estava estonteante. Ele apagou o cigarro, tomou o copo, e pegou a garrafa enquanto saía da boate. Ela o chamou.

- Fernando!
- Droga - Fernando falou consigo mesmo. Depois voltou-se para Michaela. - O que foi?
- Haha! Se eu não soubesse... Fernando, Fernando... Está me perseguindo?
- Sim, estou. E vou te estuprar, matar, e jogar seu corpo no Oceano. Posso ir agora?
- Não, - Ela riu - Não pode. Meu namorado está doente. Acho que se chama Maresia. É isso?
- Não faço idéia.
- Nem eu. Mas eu estou aqui, sozinha, dançando na pista.
- E daí? Você sempre foi do tipo que adora ser o centro das atenções. - Michaela riu.
- Sim, eu sei, eu mudei, você sabe. Mas é chato ficar lá dançando sozinha, enquanto todo mundo tá acompanhado.
- Eu não vou dançar.
- Por que não?
- Pois estou aqui a trabalho com minha banda, estou querendo fumar e beber em paz, e acabo de pagar vinte reais apenas para conseguir bebida e fumo de um bartender arrogante.
- Então! Dançar te relaxaria! Vamos, pelos velhos tempos?
- Velhos tempos? Você quer dizer, os tempos que você fingia que gostava de mim enquanto ficava com meu melhor amigo?
- Poxa, pela última vez, eu tinha 9, 10 anos! Tudo bem, então. Eu acho que vou pro meu quarto, já que você não consegue desculpar ninguém. - Fernando se sentiu mal. Ele a impediu.
- Tudo bem. UMA dança.

Michaela pulou, sorrindo. Ela o arrastou para a pista. Ele percebeu, tarde demais, que ainda segurava seu Bourbon. A música "Billie Jean", do Michael Jackson, começou a tocar. Fernando riu. Sabia dançar Michael Jackson excelentemente.

No decorrer da noite, ele focava-se mais e mais em Michaela. Ela dançava bem, e, aparentemente, pelas conversas entre músicas, tinha o mesmo gosto musical que ele. Por fim, começou a tocar Funk, então os dois saíram, e sentaram-se na cadeira que Fernando antes estava sentado.

A garrafa de Bourbon teria uma história incrível para contar para seus amigos, caso tivesse sobrevivido. Em duas horas, fora passada entre as bocas de ambos Fernando e Michaela, numa sensação que, para uma garrafa, se equipara à sexo. Infelizmente, assim que ela esvaziou, foi jogada no mar por um beberrão irresponsável, aonde fora depois achada por africanos, que a assumiram como presente dos deuses. Ou então Fernando tivesse simplesmente bebido demais.

Michaela estava apoiada no corpo de Fernando, ambos claramente bêbados. Ela tentou falar algo, mas acabou rindo ao invés. Ele, menos bêbado que ela, perguntou "Qual seu quarto", que ela respondeu, com dificuldade, "1456".

Quinze minutos depois, ambos estavam na frente do apartamento dela. Ela tentava, enquanto ria, achar o cartão da porta, ou a porta do cartão. Fernando estava ficando menos bêbado. Já conseguia pensar lentamente.

Por fim, Michaela achou a porta certa, ou o cartão certo. Ela deu um grito satisfeito, e Fernando foi dizer-lhe tchau. Ela caiu contra a porta, ainda claramente bêbada. Ele, de imediato - Ou pelo menos achou que fosse - a ajudou a levantar. Ela abraçou-o, tentando falar.

- Puxa... (Hic!) Obrigada. Achei que ficaria ali para sempre. Você me salvou... - Ela começou a rir.
- Bom... Não foi nada. Você levantaria... Eu acho. Você já tá aí, eu vou dormir.
- Não! Não, espera!
- Quê?
- Você não quer entrar?
- Pra conhecer seu namorado? - Fernando começou a pensar. Ou então a se lembrar,
- Ah, sim. Esqueci do chato. Bem, boa noite. - Ela beijou-o. Para sua surpresa, fora na boca. O beijo durou três segundos, até que ela interrompeu.
- Até mais. - Ela, trôpegamente, tentou abrir a porta. Por fim, ela foi aberta, por seu namorado.
- Michaela? Que Lavar a boca com sabão faz bem. que você tá fazendo?
- Ah! Oi chato! Ainda bem que você abriu a porta! - Ela riu.
- Você bebeu?
- Nah... Só... Pra caralho.
- E você - Ele notou Fernando - Permitiu?
- Eu... (Hic!) Ela que quis.
- Huh. Sei. - O homem, que, Fernando notou, era estranhamente forte para alguém de família rica, ajudou Michaela a se levantar, e a levou para dentro, fechando a porta na cara de Fernando.

Fernando acordou no dia seguinte no seu quarto. Tinha a boca seca, uma dor de cabeça infernal, e, para seu desgosto, a lembrança do beijo da Michaela. Preparou seu chá de ressaca - Que consistia em fazer chá de morango, e misturar com açúcar, aspirina e uma bebida de teor alcoólico que estivesse mais próxima -, e fumou um cigarro. Meia hora depois, já se sentia melhor.

Por mais que tentasse, não conseguia tirar a lembrança da Michaela de sua cabeça. Resolveu pensar sobre aquilo uma outra hora, e saiu porta afora. Antes de sair, verificou se sua Fender continuava embaixo da cama. Para seu alívio, continuava.

No corredor, ele caiu na parede. Ainda estava com o senso de equilíbrio bem deprimido, e, em alto-mar, a situação piorava exponencialmente. Ele se arrastou pela parede, e subiu - Não sabia como - até o 8º andar, aonde ficava a cafeteria. Ele olhou num relógio que mantinha fazia anos. 14 horas.

Viu, dentro da cafeteria, seus amigos discutindo. Embora estivessem hospedados em quartos emparelhados, pouco se falaram no dia em que chegaram no navio. Fernando e Higor tinham discutido feio na noite anterior.

- Bom dia. - Fernando sentou-se na cadeira vazia. Todos estavam em silêncio.
- Oi. - Responderam em uníssono. Higor olhou para o outro lado com desprezo.
- Olha, Higor, foi mal. Eu agi feito um babaca. A gente precisa de material novo, eu sei, mas eu não tenho conseguido criar nada ultimamente.
- Aff... - Higor subitamente riu. - Tudo bem, tudo bem. Acho que todos nós precisamos de um pouco de inspiração. Diga-me, Fernando, para que é o saco de gelo?
- Isso? - Fernando apontou para o saco, fazendo cara feia - Isso é o resultado de uma noite de bebedeira com uma amiga de infância que se tornou um beijo inesperado e que me fez acordar e cair na parede. De cabeça.
- Espera. Amiga de infância? A tal Michaela?
- Sim, essa mesmo.
- Você deu uns pegas nela? - Jorge riu.
- Bem, sim e não.
- Como assim?
- Não chegamos a transar, e estávamos bêbados demais. Ela me beijou na porta do quarto dela, e quando ela me convidou pra entrar o namorado dela abriu a porta, e agiu como se eu fosse um parasita. Detesto esse tipo de gente.
- Aí. Só um aviso. Acho que sua pega tá logo ali no Self-Service.

E Jorge estava certo. Michaela estava no Self-Service. Olhava tudo com desprezo, e, por fim, se virou para as mesas. Ficou surpresa em ver Fernando, e deu uma pequena risada do seu saco de gelo. Acenou, e foi em sua direção.

- Hey! Fernando... Olha, a gente precisa conversar.
- Sim, eu sei. Vamos lá fora, aonde... - Ele ouviu os risos de seus amigos - Não seremos perturbados.

No lado de fora da cafeteria, o mar refletia com esplendor os raios do Sol. Fernando não deu muita atenção a isso, e só tratou de pôr seus óculos escuros. Quando Michaela começou a coçar os olhos, ele os deu para ela.

- Olhe... Sobre o que aconteceu ontem... - Ela começou.
- Sim, eu sei.
- Aquilo foi um acidente.
- O quê?
- Tipo, eu tava muito bêbada. Foi um erro, entende? Tem como a gente não falar mais nisso?
- Hunf... Tudo bem. Não falaremos mais nisso.
- Obrigada. - Ela abraçou-o, e foi embora. Fernando só percebeu depois que ela continuava com seus óculos.

Mais tarde naquela noite, ele continuava pensando em Michaela. Tentou ver TV, ler um livro, qualquer coisa. Não conseguia tirá-la da cabeça. Deitou na cama, decidindo dormir cedo. Já estava meio adormecido, quando o telefone tocou.

- Alô?
- Ei! Fernando! É a Michaela. Escuta, vamos sair? O Luiz continua com maresia.
- Como?
- Bom, você sabe, quando a pessoa tem estômago fraco, ela geralmente vomita no navio.
- Não, não... Como diabos você descobriu meu quarto?
- Ah, isso? Bem, seu nome aparece na TV o tempo todo. Dizendo sobre o seu showzinho semana que vem. Aí eu liguei pra recepção e eles me deram o número do seu quarto. Para um astro do rock, você foi negligenciado, hein?
- O que você quer, Michaela?
- Vamos no cassino?
- Cassino? Fazer o quê?
- Sei lá, jogar Poker.
- Você sabe jogar Poker?
- Não. Mas eu aprendo.
- Leve dinheiro. Muito dinheiro.
- Haha! Tudo bem! Nos encontramos lá, ok?
- Certo. Tchau.

Meia hora depois, Fernando estava no cassino, impaciente. Usava o mesmo Jeans da noite passada, e só trocara de camisa. Michaela apareceu pela porta, com um vestido que o fez se sentar na cadeira. Estava linda.

- Ei! Fernando! Que bom que você veio!
- É, certo. Você quer jogar Poker mesmo?
- Sim! Não deve ser tão difícil.
- Ha! Veremos... Aliás, você ainda tem meus óculos.
- Ah, é. Aqui estão.
- Obrigado, vão me ajudar durante o jogo.
- Quero só ver. Aonde compramos fichas?
- Logo ali. - Ele a direcionou para a cabina. O homem dentro dela olhou para eles de forma rabugenta, e perguntou "Quantos anos vocês tem?". Fernando já estava pegando dinheiro da carteira.
- Ah, por favor, moço? - Ele riu. Michaela estava fazendo charme para o ficheiro.
- Hunf... Tudo bem. Quantas fichas vocês irão querer?
- Cem reais - Fernando pôs duas notas de cinqüenta na mesa.
- Eu também.
- Ok, aqui estão. Aproveitem. Não estourem tudo num só lugar.

Uma hora depois, estavam no Deck. Fernando não conseguia acreditar: Perdeu os cem reais em meia hora. Para Michaela. Ela ria, enquanto carregava sua bolsa. Continuava linda, mesmo zombando dele. Ela se sentou numa cadeira de bar, ficando na mesma altura dele.

- Ah, então, como foi perder para uma garota?
- Perder para uma garota não me incomoda - Fernando acendeu um cigarro -, o que me incomoda é perder para uma iniciante.
- Se acostume então. Ainda não acredito que você se deixou levar pelo meu blefe.
- Em minha defesa, eu tinha um 4 e um 2 de paus.
- Aham, sei...
- Mas, eu devo admitir, você joga bem... Para uma iniciante - Fernando aproveitou a chance para se aproximar.
- Ei! Michaela! - Era o namorado dela. Estava fora do quarto.
- Luiz! Você não tá mais doente! - Ela pulou da cadeira, indo de encontro aos braços dele.
- É, eu tomei um remédio. O que que você tá fazendo com essa... pessoa?
- Pessoa? Eu por acaso me apresentei como um ser humano? Posso muito bem ser fruto da sua imaginação, meu caro.
- Não me venha com piadas. Michaela, vamos jantar. Pegue uma mesa para nós, quero falar com esse colega seu.
- Tudo bem. Ainda bem que você saiu da cama, eu já estava me sentindo sozinha!

Michaela foi, como um cão obediente. Aquela visão deu náuseas a Fernando, mas ele tinha mais com o que se preocupar no momento. Luiz se aproximou, sendo mais alto e mais forte que Fernando. Ele rapidamente apagou o cigarro, e desejou ter um copo de Whiskey.

- Escuta...
- Fernando.
- Escuta, Fernando. Eu sei o que tu tá querendo.
- Você sabe? Ah, excelente, então você não é apenas um acéfalo imemorial. - Fernando quis calar a própria boca.
- Que?
- Nada. Significa que você... Tem um bom coração.
- Huh. To ligado. Escuta, tu pode querer comer a Michaela, mas ela é minha, tá entendendo?
- Olha, primeiro, eu não quero "comer" ninguém, e segundo, você não pode "ter" uma mulher. Isso é simplesmente machista.
- Tu tá me endendendo, ô viadinho?
- Sim, estou - Ele revirou os olhos - Só uma pergunta, seus pais trabalham com o quê mesmo?
- Se tu precisa saber, eles são vendedores.
- AH, isso explica MUITA coisa. Bem, obrigado pelo informativo, e... Venha ao nosso show semana que vem, que tal? Será de graça. - Fernando lançou um sorriso nervoso. Subitamente, Luiz socou seu estômago com força, algo que ele não havia sentido antes, pelo menos não com tanta força.
- Vê se você se lembra agora. Babaca.

Enquanto Luiz ia embora, Fernando tentava recuperar o fôlego. Tentou se apoiar em algo, mas acabou vomitando. Caiu no chão, e só conseguiu levantar algum tempo depois. Sua camisa fedia. Ele desistiu daquele assunto, e, por puro vício, fumou um cigarro. Foi até o bar mais próximo, aonde tomou um copo amargo de Whiskey.

"A garota é minha", que idiotice.

Fernando passou a semana seguinte escrevendo, em seu quarto. De vez em quando tocava sua Fender, enquanto saiam algumas notas desafinadas. No fim da semana, dois dias antes do show, ele chamou a banda. Foram ao local aonde podiam praticar, enquanto ele distribuía papéis.

Fernando segurava sua Fender de modo peculiar. Estava prestes a tocar. Antes de tocar, no entanto, acendeu um cigarro. Conseguia cantar e fumar? Provavelmente. A luz do cigarro se destacava mediante a escuridão, enquanto seus companheiros se posicionavam. A luz se acendeu. Hora do show.

Enquanto tocava a música de abertura, e apresentava a banda, olhou para a platéia. Viu Michaela acompanhada do namorado. Provavelmente foram a pedido dela. Viu, no lado deles, duas pessoas que ele deduziu serem os pais de Luiz.

O show decorreu muito bem. A platéia adorou todas as músicas que tocavam, e Fernando sabia como agradá-la. Era um michê da música, mesmo que não quisesse admitir. Todos eram. Por fim, era hora da última canção, que era de última hora. Ele fez um gesto, e começaram. Era de autoria própria.

O que se faz, à luz do luar?
Sua sombra, triste expressão.
Longe te vejo, ao altar,
Seria loucura, esta sensação?

Distância nossa, que nos aproxima,
Um raiar que não se termina.
Gostaria apenas, de beijar seus lábios.

Por favor, não me enlouqueça,
É minha meta, não espero perdão.
Antes que de mim, se esqueça,
Lembre apenas, quero ter sua mão.

Distância nossa, que nos aproxima,
Um raiar que não se termina.
Gostaria apenas, de beijar seus lábios.

Antes que o tempo, envelheça,
Por favor, lembre desta canção.
Apenas faça o que for e esqueça.
Sua mão ele tomou no salão.

Distância nossa, que nos aproxima,
Um raiar que não se termina.
Gostaria apenas, de beijar seus lábios.


Pararam. O silêncio tornou-se presente, enquanto a platéia se recuperava. Por fim, aplaudiram. Era uma boa música, afinal. Fernando olhou para a platéia, e viu que Michaela tinha ido embora. Assim como Luiz, e seus pais. Ele percebeu que provavelmente não sobreviveria a noite.

Fernando estava no corredor do seu quarto, quando ouviu o chamado de Michaela. Ela estava com a mesma roupa que estava no show, mas agora parecia dez vezes mais bonita: Estava sem o namorado. Ela jogou-o contra a parede, sem dizer uma palavra.

- Michaela... Olha...
- Aquela música... Era para mim. Não era?
- Bom... - Fernando pensou em mentir. Não conseguiu. - Era.
- Droga, Fernando!
- Olha, eu sei. Você pode mentir, se quiser.

Então ocorreu algo que ele não esperava. Michaela se encostou nele, e o beijou. Ele retribuiu, e entraram no quarto. Ele acordaria na manhã seguinte sem roupas, e, para seu próprio desgosto, sozinho.

- Não... Isso não pode dar certo. - Higor tinha ido visitá-lo. Ele resolveu desabafar.
- Como não? Ela obviamente gosta de você.
- Sim, mas ela está namorando!
- E daí? Seja feliz você!
- E como eu poderia ser feliz assim? Não é que nem nos filmes, em que todo mundo acaba feliz. Eu posso estar roubando-a de um futuro aonde ela seja feliz, com esse namorado. Ele pode ser alguém bacana.
- Ele te espancou.
- Só foi um soco. Mas ele é forte pra caralho. Mas ainda que não seja com esse babaca, pode ser com outra pessoa. Eu sei que, se ela resolver ficar aqui, comigo, não vai acabar bem. Nunca acaba.
- Você está preocupado demais, cara! As coisas podem acabar bem!
- Não, não podem. Na vida, ao contrário dos filmes, sempre existe um perdedor. Se eu ficar com a Michaela, o Luiz será o perdedor. E ele pode ser o cara mais legal da vida dela.
- Novamente...
- Ele pode ser legal com ela. Comigo ele é um babaca, mas ele pode ser gente boa, no fundo. Quem sabe?
- Eu ainda acho que você deveria ficar com a garota.
- Eu não posso. Não sem ficar imaginando "Será que ela seria mais feliz com aquele cara?". No final, ela será infeliz comigo, eu tenho certeza.
- Ah, tudo bem, se você acha. Eu só vim te dar os parabéns pela música, ela é foda. Semana que vem estaremos de volta para casa.

Spoiler:
 

Cinco meses se passaram, e todo mês Fernando recebia uma carta de Michaela, e cada vez ela parecia mais e mais desesperada. Ele se odiou por não ser capaz de fazer nada, e simplesmente esperava que a próxima carta viesse logo, com esperança.

Mas ela não veio. Cansado de esperar, ele foi até o remetente da carta, e descobriu que era a casa dela, um tanto pobre. Ele tocou a campainha, e uma senhora veio atendê-lo. Ao olhar para ele, pediu que entrasse, e que subisse as escadas. Suas instruções eram essas, de levá-lo até o escritório.

Fernando teve um choque ao entrar no escritório. Estava sujo. De sangue. O sangue parecia ter uma semana, e, ele viu, largado no chão, um violão. Na escrivaninha, estava uma carta selada. Dentro dela dizia "Para Fernando", com a caligrafia de Michaela. Ele a abriu.

Spoiler:
 

Lágrimas escoaram de seus olhos. Fernando urrou, enquanto sua dor aumentava mais e mais... Por fim, abriu a gaveta, e lá ele a viu, uma Colt, 45 milímetros. Ainda carregada. Ele a segurou em suas mãos, enquanto a preparava.

No cemitério, lá estava o túmulo recém posto de Michaela Cordano. Mais abaixo dele, estavam os dizeres em sangue:

"Aqui jaz Michaela Cordano, o maior amor de um homem"
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Todas as cartas foram mantidas em seu estado original, trocando-se apenas nomes, referências e alguns erros ortográficos.
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